A Paróquia de Santo Antônio dos Funcionários foi criada pelo Decreto nº 212, de 30 de dezembro de 1964, do então Arcebispo Metropolitano Dom João Resende Costa, situando-se sua matriz à Rua Pernambuco, 840. Surgiu por desmembramento das Paróquias de Nossa Senhora da Boa Viagem, de Santo Antônio – Contorno, de Nossa Senhora do Carmo e de Santana.

Desde sua fundação encontra-se sobre responsabilidade da Ordem dos Frades Menores – OFM, conhecidos como Franciscanos.

A matriz, localizada em edifício contíguo ao Colégio Santo Antônio, foi construída em 1944, segundo projeto do arquiteto Francisco de Assis Porto de Menezes. Compõe-se de edifício retangular, disposto transversalmente à rua Pernambuco, formando nave única, presbitério e, à esquerda, corredor lateral que dá acesso à sacristia, onde estão localizados símbolos da expressão da fé católica: a Via Sacra e o Velário.

A fachada, alinhada à calçada, é marcada por ligeira movimentação de volumes, revestidos por diferentes materiais, produzindo belo efeito de texturização. Uma grande cruz latina, em metal liso e polido, se fixa sobre a larga faixa em granito preto, disposta verticalmente, à esquerda, ascendendo em singela platibanda, sugerindo efeito de torre. Duas grandes portas de correr, em aço, localizadas nas extremidades, protegidas por pequena marquise, dão acesso ao interior. A cobertura é feita por estrutura metálica modulada, formando claraboias, que promovem iluminação natural, direcionando-a para o altar-mor.

O espaço interno, organizado de forma simétrica, por meio do mobiliário e dos materiais de revestimento, toma como referência o presbitério, com fileiras de bancos que se distribuem em semi-arco, definindo o altar como ponto de fuga. Esse foco é reforçado pela paginação do piso, em granilite, e pelo ressalto do presbitério, elevado por três largas faixas de degraus, revestidos em granito preto.

Toda a parte do presbitério recebeu painel de azulejos, concebido por Frei Davi Ruigt, franciscano nascido na Holanda e falecido em 2005, e executado por Faiança Cerâmica Decorativa, da Capital. Conforme consta de registro no Livro do Tombo da Paróquia, bem como depoimentos de paroquianos que frequentaram a igreja há mais tempo, teria havido um acidente com porções laterais do painel, reduzindo-o a dimensões bem menores, ajustado ao presbitério. Esse grande painel figurativo, realizado em peças cerâmicas esmaltadas em diversos tons de verde, com toques de branco, amarelo e vermelho vinho, apresenta temática religiosa.

A igreja dispõe de acervo de mobiliário e objetos devocionais de beleza ímpar. Entre eles, destacam-se a mesa do altar e os ambões, peças singulares confeccionadas em madeira de pedra, esculpidas por Frei Raul Ribeiro de Mello, em 1976. Nelas são focalizadas cenas descritas na Bíblia, em trabalhos de representação figurativa, em baixo relevo, em quadros autônomos seriados. Essas imagens apresentam composição bastante expressiva, inspirada na modalidade narrativa adotada pelos antigos frisos romanos e pelas iluminuras medievais.

Merecem também registro a mesa do sacrário, a pia batismal, a Via Sacra e algumas peças de imaginária.

A mesa do sacrário foi confeccionada pelo artesão argentino Ricardo Bregante, na década de 1980. Situada à esquerda do presbitério, é composta de quatro pilares de alvenaria com placas cerâmicas aplicadas, representando a simbologia dos evangelistas: o leão, de São Marcos, o touro, de São Lucas, a águia, de São João e o anjo, de São Mateus. Sobre a mesa, centralizado, está o sacrário, enquadrado por duas imagens de anjos, em gesso, com asas levantadas.

A pia batismal, confeccionada pelo mesmo artesão, inspirada na arte oriental, assemelha-se a uma coluna e tem sua ornamentação, em revestimento cerâmico esmaltado.

A Via Sacra, também do mesmo autor, foi executada em 1996 e é composta de quinze quadros em cerâmica, pintados a óleo, com moldura em madeira. A representação dos passos da paixão de Cristo, em linguagem moderna, é composta de cenas trabalhadas em diagonal, onde sobressai a cruz, pintada em amarelo. As figuras, estilizadas, são reduzidas a esquemas geométricos. Os quadros estão afixados sobre a parede da galeria lateral esquerda, que dá acesso à sacristia.

Dentre as peças de imaginária merecem destaque as imagens de Santo Antônio, de Nossa Senhora da Apresentação, bem como um crucifixo e um relicário.

A imagem de Santo Antônio, em madeira, foi executada, em 1965, por Joaquim de Souza, escultor português que residia no Rio de Janeiro, conforme identificação gravada em sua base. A peça, de boa fatura, revestida de verniz escuro, apresenta forte apelo realista, derivado principalmente da estreita relação comunicativa entre o Santo e o Menino Jesus, que sorriem e trocam olhares de ternura numa gestualidade delicada e de paternal afetividade. Localiza-se sobre suporte, afixado a uma das faces de um dos pilares situados à esquerda da nave.

A imagem de Nossa Senhora da Apresentação, em madeira, datada de 1969, é de autoria de Manuel Lemos de Souza, conforme inscrição na lateral esquerda de sua base. A representação da Virgem, também revestida com verniz brilhante, na tonalidade castanho avermelhado, segue o padrão clássico apoiado nas concepções de harmonia, equilíbrio e força. Localiza-se, como a anterior, sobre suporte, à esquerda da nave.

O crucifixo – ou calvário -, em madeira, no formato de tronco, apresenta a imagem do crucificado no mesmo material, policromada, vestindo perizônio branco. Na intersecção dos braços da cruz, encontra-se racionado em metal prateado, cujo centro irradiador é uma cruz grega estilizada com flor e, ao alto, cartela, também em metal, com a inscrição INRI. A peça está depositada na sacristia, sobre arcaz.

O relicário, também localizado na sacristia, em metal dourado, apresenta em seu visor medalha de prata com relíquia de Santo Antônio.

A matriz, centro de devoção da população da região, é hoje popularmente conhecida como Santuário de Santo Antônio.